historico:2014:ensaios:silva
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+ | ====== Seleção de modelos e o estudo da estruturação de comunidades arbóreas em uma paisagem fragmentada ====== | ||
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+ | === Edgar Silva === | ||
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+ | * Laboratório de Ecologia Vegetal e Aplicada, Centro de Ciências Biológicas, | ||
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+ | * edgar.ssilva@ufpe.br | ||
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+ | =====Inferência por verossimilhança===== | ||
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+ | A inferência por verossimilhança tem sido bastante usada recentemente por ecólogos e essa abordagem traz uma perspectiva diferente para a análise de dados biológicos. A inferência estatística clássica avalia se uma determinada hipótese nula pode ser rejeitada dado certo conjunto de dados, e a rejeição dessa hipótese nula resulta na aceitação de uma hipótese alternativa (Johnson & Omland 2004). Por sua vez, a inferência por verossimilhança faz uma comparação entre diferentes hipóteses competidoras e aquela que melhor se ajusta aos dados é dada como hipótese mais plausível (Batista 2009). | ||
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+ | Imagine que temos duas hipóteses (A e B) que implicam em duas diferentes probabilidades de se obter uma dada observação, | ||
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+ | Para avaliar a verossimilhança de uma dada hipótese é utilizada a função de verossimilhança, | ||
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+ | =====Seleção de modelos===== | ||
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+ | Na abordagem de seleção de modelos, o primeiro passo é a elaboração verbal das hipóteses competidoras e, posteriormente, | ||
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+ | =====Estudo de caso===== | ||
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+ | O uso da terra para a realização de atividades antrópicas representa uma das principais ameaças a biodiversidade global (Sala et al. 2000). Devido a atividades como a pecuária, agricultura e a criação de áreas urbanas, grandes áreas de floresta tropical foram convertidas em paisagens composta por pequenos fragmentos florestais isolados e imersos em matrizes não florestadas. A floresta Atlântica brasileira, por exemplo, apresenta apenas 11,7% da sua área original e 83% dos remanescentes de floresta são menores que 50 ha (Ribeiro et al. 2009). Essa configuração das florestas tropicais é extremamente nociva para a manutenção de espécies, uma vez que remanescentes grandes e menos isolados são mais efetivos para conservação. | ||
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+ | Por meio da seleção de modelos, avaliei a hipótese que fragmentos mais isolados apresentam uma menor riqueza de espécies e abundância de indivíduos arbóreos. Em uma paisagem severamente fragmentada de Floresta Atlântica no nordeste do Brasil foram selecionados 20 fragmentos florestais completamente circundados por uma matriz homogênea de cana-de-açúcar. No centro geométrico de cada fragmento foi montada uma parcela de 10 m x 100 m onde foram amostradas todas as árvores com DAP ≥ 10 cm. Para inferir o isolamento, foi avaliada a cobertura florestal em uma área circular de 100 ha, estando a parcela localizada no centro dessa área. Áreas com menor cobertura florestal indicam fragmentos mais isolados. | ||
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+ | Tanto para avaliar se existe uma redução na riqueza de espécies como na abundância de indivíduos em fragmentos mais isolados, foram criados dois modelos: um modelo sem efeito e outro considerando o isolamento. Os modelos foram criados com distribuição de Poisson, dado que tanto a riqueza de espécies como a abundância de indivíduos representam dados de contagem (Bolker 2008). Para comparar os modelos, foram analisados os AICc’s, pois se trata de uma amostra pequena. | ||
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+ | Os resultados indicam que tanto para riqueza de espécies como para abundância de indivíduos o modelo considerando o isolamento do fragmento é mais plausível que o modelo sem efeito, uma vez que os modelos que levaram em consideração o isolamento apresentaram AICc menores que os modelos sem efeito (Tabela 1 e 2). | ||
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+ | **Tabela 1.** Seleção de modelos para avaliar o efeito do isolamento do fragmento na riqueza de espécies em comunidades arbóreas em uma paisagem de Floresta Atlântica no nordeste do Brasil. logLik = estimativa de máxima verossimilhança; | ||
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+ | **Tabela 2.** Seleção de modelos para avaliar o efeito do isolamento do fragmento na abundância de indivíduos em comunidades arbóreas em uma paisagem de Floresta Atlântica no nordeste do Brasil. logLik = estimativa de máxima verossimilhança; | ||
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+ | Assim como esperado, tanto a riqueza de espécies como a abundância de indivíduos tendem a diminuir com o isolamento. Fragmentos mais isolados tendem a receber menos visitas de animais dispersores de sementes, o que diminui a chegada de novas espécies. De fato, a inferência por verossimilhança pode ser bastante útil no estudo da estruturação de comunidades biológicas em paisagens fragmentadas, | ||
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+ | =====Referências bibliográficas===== | ||
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+ | Batista, J.L.F. 2009. Verossimilhança e máxima verossimilhança. Centro de Métodos Quantitativos (http:// | ||
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+ | Bolker, B. 2007. Ecological models and data in R. Princeton University Press, Princeton. | ||
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+ | Burnham, K. P. & Anderson, D. R. 2002. Model selection and multimodel inference. A practical information - Theoretic approach. Springer-Verlag New York, Inc., New York. | ||
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+ | Johnson, J. B. & Omland, K. S. 2004. Model selection in ecology and evolution. Trends in Ecology and Evolution 19,101-10 | ||
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+ | Ribeiro, M. C., Metzger, J. P., Martensen, A. C., Ponzoni, F. J., Hirota, M. M., 2009. The Brazilian Atlantic Forest: How much is left, and how is the remaining forest distributed? | ||
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+ | Sala, O. E., Chapin, F. S., Armesto, J. J., Berlow, E., Bloomfield, J., Dirzo, R., Huber-Sanwald, | ||
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+ | =====Citação===== | ||
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+ | Este ensaio é um produto de disciplina da pós-graduação da Universidade de São Paulo. Para citá-lo: | ||
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+ | Silva, E. 2014. Seleção de modelos e o estudo da estruturação de comunidades arbóreas em uma paisagem fragmentada. In: Prado , P.I & Batista, J.L.F. Modelagem Estatística para Ecologia e Recursos Naturais. Universidade de São Paulo. url: http:// | ||