historico:2014:ensaios:reis
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historico:2014:ensaios:reis [2014/10/23 14:33] – [Seção 1] mariana.nbreis | historico:2014:ensaios:reis [2022/11/24 14:12] (atual) – edição externa 127.0.0.1 | ||
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+ | ========Modelos de ocupação e a incorporação de detecção imperfeita de espécies========= | ||
+ | ===Mariana Nagy Baldy dos Reis=== | ||
+ | *Pós-graduação em Ecologia, Universidade Estadual de Campinas | ||
+ | *mariana.nbreis@gmail.com | ||
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+ | Informações sobre abundância, | ||
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+ | Os modelos de ocupação (MacKenzie et al. 2002) estimam a taxa de ocupação de espécies em um determinado local, incorporando a probabilidade de detecção delas. A ideia central desses modelos é de que a não observação da espécie-alvo não necessariamente significa a sua verdadeira ausência, mas sim a sua ausência ou a sua não-detecção. | ||
+ | Seu uso é bastante frequente em estudos com ecologia de médios e grandes mamíferos, onde o levantamento dos animais, em sua maioria das vezes, é feito através do armadilhamento fotográfico. O armadilhamento fotográfico apesar de ser um ótimo método, por ser prático, não-invasivo, | ||
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+ | O padrão de detecção e não-detecção ao longo de múltiplas visitas (histórico de detecção (H)) em um mesmo local permite estimar a taxa de ocupação (Ψ) e a probabilidade de detecção (p) de uma espécie. Dessa forma, a ocupação pode ser vista como um substituto da abundância (MacKenzie & Nichols 2004) e fornece uma alternativa às análises de dados de incidência (presença/ | ||
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+ | As principais premissas desses modelos são: a) durante o período amostral, não há mudanças nas populações estudadas (não há nascimentos, | ||
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+ | Nesse modelo, a observação é fixa e os parâmetros variáveis, e os dados observados (histórico de detecção - H) são usados para atribuir uma probabilidade à ocupação dos sítios pela espécie observada. Assim, podemos dizer que o modelo de ocupação é baseado em uma função de verossimilhança. | ||
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+ | Para a construção do histórico de detecção (H) de cada sítio amostral, cada visita com detecção da espécie sob investigação recebe o valor “1”, enquanto visitas sem detecção da espécie amostrada recebem valor “0”, resultando em uma sequência de “0” e “1”. Assim, o histórico de detecção (H) é descrito por uma distribuição binomial (Eq. 01) (Mackenzie et al. 2006), ou seja, uma série de ensaios de Bernoulli independentes. Como o modelo se baseia em verossimilhança, | ||
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+ | Eq. 01: {{: | ||
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+ | Eq. 02: {{: | ||
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+ | Tab. 01. Verossimilhança do dado observado. | ||
+ | {{: | ||
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+ | Por exemplo, o histórico de detecção do i sítio (Hi) composto por 1001 (que representa a detecção da espécie na primeira visita, seguida por duas visitas sem detecção e mais uma detecção, na quarta visita) teria a probabilidade de detecção conforme Eq. 03. Ou ainda, a função de verossimilhança conforme Eq. 04. | ||
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+ | Eq. 03: {{: | ||
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+ | sendo, '' | ||
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+ | '' | ||
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+ | Eq. 04: {{: | ||
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+ | Assumindo independência entre os sítios amostrais, o produto de todos os termos (um de cada sítio) gera o modelo de verossimilhança para o conjunto de dados observados, o qual pode ser maximizado, obtendo-se a estimativa de máxima verossimilhança dos parâmetros (Mackenzie et al. 2002). Dessa forma, com o histórico de detecção, é calculada a probabilidade de ocupação (Ψ), ou a proporção de sítios ocupados pela espécie de interesse, e a sua detecção (p). | ||
+ | Em muitos casos, é de se esperar que a ocupação ou mesmo a detectabilidade de uma espécie sejam funções de co-variáveis. Tais co-variáveis podem ser intrínsecas aos sítios amostrais, como tipo de habitat, ou relacionadas a coleta do dado, como por exemplo, condições climáticas durante as observações. Dessa forma, a informação das co-variáveis (x) pode ser introduzida no modelo usando um modelo logístico (Eq. 05) para Ψ e p e para a sua incorporação no modelo, usamos a função de ligação “logit” (Eq. 06) (MacKenzie et al. 2002, MacKenzie et al. 2006). | ||
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+ | Eq. 05: {{: | ||
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+ | onde, '' | ||
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+ | '' | ||
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+ | Eq. 06: {{: | ||
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+ | Os diferentes modelos gerados que explicam a probabilidade de ocupação (Ψ) e detecção (p) podem ser comparados. É possível explorar modelos que possuem ambas as probabilidades constantes; modelos com probabilidade de detecção (p) como uma constante e probabilidade de ocupação (Ψ) variando em função de co-variáveis; | ||
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+ | ===== Referências bibliográficas ===== | ||
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+ | Burnham, K. P. & Anderson, D. R. (2002). Model selection and multimodel inference: A practical information-theoretic approach. Springer–Verlag. | ||
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+ | Hines, J. E., Nichols, J. D., Royle, J. A., MacKenzie, D. I., Gopalaswamy, | ||
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+ | Hines, J. E.; Nichols, D. N. & Collazo, J. A. (2014). Multiseason occupancy models for correlated replicate surveys. Methods in Ecology and Evolution 5:583-591. | ||
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+ | MacKenzie, D. I.; Nichols, J. D.; Lachman, G. B.; Droege, S.; Royle, J. A. & Langtimm, C. A. (2002). Estimating site occupancy rates when detection probabilities are less than one. Ecology 83(8): | ||
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+ | MacKenzie, D. I. & Nichols, J .D. (2004). Occupancy as a surrogate for abundance estimation. Anim. Biodiv. and Conserv. 27(1): | ||
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+ | MacKenzie, D. I.; Nichols, J. D.; Royle, J. D.; Pollock, K. H.; Bailey, L. L. & Hines, J. E. (2006). Occupancy Estimation and Modeling: Inferring Patterns and Dynamics of Species Occurrence. Academic Press. | ||
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+ | Pollock, K. H.; Nichols, J. D.; Brownie, C. & Hines, J. E. (1990). Statistical inference for capture-recapture experiments. Wildlife Monographs 107. | ||
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+ | Royle, J. A. & Nichols, J. D. 2003. Estimating abundance from repeated presence-absence data or point counts. Ecology 84:777– 790. | ||
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