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historico:2014:ensaios:latorre [2014/09/20 01:39] – criada danieldelatorre | historico:2014:ensaios:latorre [2022/11/24 14:12] (atual) – edição externa 127.0.0.1 | ||
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+ | ====== Como descrever as distribuições de massa de Mamíferos ====== | ||
+ | === Daniel Varajão de Latorre === | ||
+ | *Mestrando no departamento de Ecologia da USP | ||
+ | *danielvdelatorre@gmail.com | ||
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+ | Os mamíferos constituem o grupo animal mais estudado pela ciência. Entre as mais de 5100 espécies descritas aproximadamente 3900 são terrestres (as outras 1200 se dividem entre aquáticas e voadoras). Entre as espécies terrestres viventes, uma característica que chama a atenção é o grande espectro de tamanho corpóreo, que varia desde musaranhos com 2g até elefantes de 5ton, ou seja uma variação de 6 ordens de grandeza (daqui em diante os valores de massa serão expresso escala logaritmica). Em um trabalho analisando fósseis de mamíferos da América do Norte, Alroy (1998) mostrou que a evolução de massa corpórea é melhor descrita ao se considerar que existem dois ótimos de massa corpórea. Esses ótimos podem ser compreendidos como os valores onde as espécies estão fisiologicamente melhor adaptadas (mas esse aspecto não foi estudado no trabalho de Alroy, 1998), e por isso podem funcionar como dois atratores em torno dos quais se encontra a variação de massa corpórea de mamíferos. Isso nos faz esperar que a distribuição de massa corpórea apresente uma distribuição bimodal, onde cada moda representa um ótimo. No entanto, a teoria metabólica da diversidade sugere que há apenas um valor ótimo de massa de mamíferos. Em torno desse ótimo deveria haver uma variação assimétrica de tamanho em função de um maior " | ||
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+ | A - A distribuição de massa de mamíferos atuais é unimodal assimétrica; | ||
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+ | B - A distribuição de massa de mamíferos atuais é bimodal. | ||
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+ | Em primeiro lugar devemos saber como as diferentes hipóteses podem ser traduzidas em modelos, mas o que são modelos? De maneira sucinta podemos dizer que modelos são traduções matemáticas de hipóteses. No parágrafo acima, foram propostas duas hipóteses biológicas para descrever o padrão de distribuição de massa de mamíferos terrestres. Agora precisamos transformar essas hipóteses em funções matemáticas que expressem essas hipóteses. Vamos começar pela hipótese A que já foi descrita na literatura por uma distribuição teórica de probabilidades chamada Skew-Normal. Essa distribuição decorre de uma modificação na distribuição Normal via adição de um novo parâmetro (alfa) que permite gerar assimetrias. Quando alfa é zero obtemos a distribuição Normal simétrica, ou seja descrita pelos seus dois parâmetros: | ||
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+ | Afim de saber se é razoável descrever a massa de mamíferos a partir de uma Skew-Normal, | ||
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+ | Agora precisamos de um modelo que descreva a hipótese B, ou seja uma distribuição que represente dois ótimos adaptativos. Nesse caso podemos imaginar que a variação em torno de cada ótimo é descrita por uma distribuição Normal: N(µ, s). Uma dada espécie pode pertencer a variação esperada em torno do primeiro ótimo ou em torno do segundo ótimo, sendo que há uma chance dessa espécie pertencer à primeira ou à segunda Normal. Vale ressaltar que uma das propriedades das distribuições de probabilidade é que a área sob a curva tem que ser igual a um. Logo ao misturarmos duas normais como pretendemos fazer precisamos de somente um parâmetro (p) para indicar a proporção e o seu complementar (1-p). Logo temos a função p*N< | ||
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+ | Com os dois modelos ajustados como podemos fazer para comparar qual é melhor para descrever a massa de mamíferos? Para isso podemos utilizar o critério de informação | ||
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+ | $AIC = -2\times Log Verossimilhança + 2\times k$ | ||
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+ | O valor de AIC calculado para cada um dos modelos pode ser comparado, oferecendo uma ferramenta para podermos escolher qual o modelo melhor descreve os dados de maneira parcimoniosa. A parcimônia é relevante pois quanto maior a quantidade de parâmetros em um modelo melhor deve ser seu ajuste (maior valor de Log Verossimilhança), | ||
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+ | ===Referências Bibliográficas=== | ||
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+ | Alroy, J. (1998). Cope's rule and the dynamics of body mass evolution in North American fossil mammals. Science, 280(5364), 731-734. | ||
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+ | Blackburn, T. M., & Gaston, K. J. (1994). Animal body size distributions: | ||