historico:2014:ensaios:gaiarsa
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historico:2014:ensaios:gaiarsa [2014/10/24 20:54] – magaiarsa | historico:2014:ensaios:gaiarsa [2022/11/24 14:12] (atual) – edição externa 127.0.0.1 | ||
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+ | ====== Uma breve introdução ao mundo dos modelos ====== | ||
+ | === Marilia Palumbo Gaiarsa === | ||
+ | *Departamento de Ecologia, Universidade de São Paulo | ||
+ | *gaiarsa.mp@gmail.com | ||
+ | Muitas vezes nós como cientistas estamos preocupados em não só em encontrar padrões, mas verificar o quão comum os padrões encontrados são, e quais os processos responsáveis por gerá-los. A partir da formulação de uma pergunta, criamos hipóteses, previsões e coletamos dados (simulados, experimentais ou observacionais) que respondam nossas perguntas (ou assim esperamos). É então que a maior parte dos cientistas se embaralha – mas como analisar esses dados?! | ||
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+ | A abordagem clássica de análise de dados deriva da estatística frequentista. De uma maneira geral, nesta abordagem comparamos a média de nossos dados aos valores de uma distribuição teórica de probabilidades (a distribuição gaussiana ou normal) e observamos qual a probabilidade associada à nossa média. Por convenção, | ||
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+ | Mas o mundo é tão mais que uma normal! E então chegamos ao mundo dos modelos! Diferentemente das tradicionais ferramentas estatísticas frequentistas | ||
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+ | Mas, antes de tudo, afinal de contas o que é um modelo estatístico? | ||
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+ | Uma das maravilhas do mundo dos modelos é que que podemos criar modelos desde os mais simples, com apenas um parâmetro, até os mais complicados, | ||
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+ | De acordo com Johnson & Omland (2004) a seleção de modelos possui três vantagens explícitas em relação ao clássico teste de hipótese nula. Em primeiro lugar, é possível que se avalie diversos modelos concomitantemente. Em segundo lugar, os modelos podem ser ranqueados, por exemplo por meio de seus valores de AIC, o que possibilita que seja atribuído diferentes pesos a diferentes modelos. E por fim, caso as análises indiquem que os modelos concorrentes são parecidos, é possível fazer uma média dos modelos e estimar os parâmetros de uma melhor forma. | ||
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+ | Em resumo, no teste de hipótese frequentista só testamos um modelo por vez. Quando usamos a abordagem de modelagem estatística e seleção de modelos, podemos comparar quantos modelos julgarmos necessários, | ||
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+ | **Os modelos e minha pesquisa?** | ||
+ | Após essa breve introdução ao mágico mundo dos modelos, decidi pensar em alguns dados que eu coletei durante a minha iniciação cientifica (inspirada por Caetano & Aisenberg 2014). A pergunta que motivou meu estudo era se “juvenis das jararacas (//Bothrops jararaca// e //B. jararacussu// | ||
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+ | **... Um pouco de história natural...** | ||
+ | Apesar de serem filogeneticamente distantes, as duas espécies de jararaca mais comumente encontradas na Mata Atlântica do estado de São Paulo, //Bothrops jararaca// e //B. jararacussu//, | ||
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+ | Estou ciente que existem muitas maneiras de analisar estes dados, mas pensei da maneira mais simples possível, comparando dois modelos concorrentes. O primeiro modelo representaria a situação na qual as jararaquinhas estariam aleatoriamente espalhadas no ambiente. Assim, não haveria nenhum padrão nas medidas tomadas, e o modelo a ser testado seria uma distribuição uniforme. O segundo modelo a ser testado seria um modelo criado a partir da distribuição Gama, já que é um modelo para variáveis contínuas que descreve variáveis com distribuições de probabilidades assimétricas. Ao invés de analisar o tempo até a ocorrência de um número de eventos eu estou interessada no número de eventos a partir de uma distância. Então, conforme explicado acima, eu compararia esses modelos concorrentes por meio do Critério de Informação de Akaike. Em um futuro próximo pretendo incluir nas análises outras variáveis e/ou parâmetros. E em um futuro que espero não muito distante, ser capaz de utilizar os tão citados e aclamados modelos mistos. | ||
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+ | **Finalizando...** Gostaria de terminar este ensaio com uma reflexão. Em uma das últimas aulas comentaram sobre o texto “//I don’t know//” de Robert Root-Bernstein, | ||
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+ | ===== Referências bibliográficas ===== | ||
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+ | Akaike, Hirotugu. 1974. A new look at the statistical model identification, | ||
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+ | Bolker, B.M. 2008 Ecological Models and Data in R Princeton: Princeton University Press, Princeton. | ||
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+ | Caetano, D.S. & Aisenberg, A. 2014. Forgotten treasures: the fate of data in animal behaviour studies. Animal Behaviour, 98: | ||
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+ | Hilborn, R. & Mangel, M. 1997. The ecological detective: Confronting models with data. Princeton University Press, Princeton. | ||
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+ | Johnson, J. B., & Omland, K. S. 2004. Model selection in ecology and evolution. Trends in ecology & evolution, 19:101-108. | ||
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+ | Root-Bernstein, |