historico:2014:ensaios:carvalho
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+ | ====== Uso da verossimilhança para atribuição de paternidade em plantas ====== | ||
+ | === Carolina Carvalho === | ||
+ | * Unesp-Rio Claro | ||
+ | * carolina.carvalho@ymail.com | ||
+ | ===== Análise de paternidade ===== | ||
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+ | Estudos de paternidade e maternidade são importantes para entender processos evolutivos, ecológicos e comportamentais. Muitos desses estudos são baseados em dados moleculares e nos ajudam a compreender questões sobre sistema de acasalamento, | ||
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+ | Análises de paternidade utilizando marcadores moleculares altamente polimórficos são comuns em estudos de populações naturais e consistem na comparação dos genótipos da prole e dos possíveis pais. Em populações naturais, a análise de paternidade pode ser obtida conhecendo ou não as mães, e cada uma das abordagens são estatisticamente distintas (Marshall et al. 1998). Conhecendo as mães, há diversas formas de se obter a paternidade dessas progênies, sendo que os dois principais métodos são a exclusão rigorosa e a designação categórica. | ||
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+ | No método da exclusão rigorosa, um pai candidato é excluído caso apresente um alelo diferente em um determinado loco. No entanto, devido a possíveis erros de genotipagem, | ||
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+ | ===== Verossimilhança ===== | ||
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+ | A verossimilhança pode ser definida como a probabilidade de um evento acontecer. Diferente da probabilidade que se refere a ocorrência de eventos futuros, a verossimilhança é a probabilidade hipotética de um evento que já ocorreu produzir um resultado específico. A verossimilhança se refere a eventos passados com resultados conhecidos (Weisstein 2014). A filosofia por trás da análise de verossimilhança é ter os dados como ponto de partida para então avaliar as hipóteses com base nos dados. | ||
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+ | Uma vez que pode haver mais de uma explicação para um conjunto de dados e que cada hipótese atribui uma probabilidade diferente aos dados, segundo a lei da verossimilhança, | ||
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+ | ===== Abordagem de verossimilhança para análise de paternidade ===== | ||
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+ | A abordagem de verossimilhança para análise de paternidade calcula o logaritmo da razão de verossimilhança através do cálculo da verossimilhança de um indivíduo ser o pai de uma prole dividido pela verossimilhança desses indivíduos não serem aparentados (Marshall et al. 1998). | ||
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+ | A razão de verossimilhança pode ser escrita como: | ||
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+ | L(H1,H2|D) = P(D|H1)/ | ||
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+ | Na análise de paternidade, | ||
+ | Vamos pensar que o genótipo da prole é gp, da mãe é gm e do pai selecionado é ga. Em uma situação em que conhecemos quem é a mãe, para a hipótese H1 que o pai elegido é o pai verdadeiro, podemos calcular a verossimilhança pela seguinte equação: | ||
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+ | L(H1|ga, | ||
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+ | onde T(gp|gm,ga) representa a probabilidade de segregação Mendeliana dos pais para a prole, ou seja, a probabilidade do genótipo da prole dado o genótipo da mãe e do pai elegido (Meaher 1986). P(gm) e P(ga) são as frequências alélicas da mãe e do pai elegido na população sob equilíbrio de Hardy-Weinberg, | ||
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+ | A verossimilhança que o pai é um indivíduo aleatório na população pode ser calculada pela equação a seguir: | ||
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+ | L(H2|ga, | ||
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+ | A razão de verossimilhança é: | ||
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+ | L(H1, H2|ga, | ||
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+ | No caso em que a mãe não é conhecida, a razão de verossimilhança é: | ||
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+ | L(H1, H2|ga,gp) = T(gp|ga)/ | ||
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+ | A razão de verossimilhança é sempre calculada para cada loco autossômico separadamente. Se assumimos que os locos não são ligados, podemos calcular o logaritmo da verossimilhança do pai selecionado somando os logaritmos da verossimilhança de todos os locos (Jones e Ardren 2003). Nesse tipo de análise, a frequência alélica só pode ser usada como uma estimativa da frequência genotípica se as populações estiverem em equilíbrio de Hardy-Weinberg, | ||
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+ | Para garantir a máxima robustez na decisão da paternidade em populações naturais, diversos estudos aconselham o uso de um maior número de marcadores microssatélite polimórficos. Além disso, estudos vem trazendo alternativas nas análises de paternidade baseada em verossimilhança, | ||
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+ | ===== Referências bibliográficas ===== | ||
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+ | Harrison HB, Saenz-Agudelo P, Planes S, Jones GP, Berumen ML 2013. Relative accuracy of the three common methods of parentage analysis in natural population. Molecular Ecology, 22, 1158-1170. | ||
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+ | Jones, AG and Ardren WR 2003. Methods of parentage analysis in natural populations. Molecular Ecology, 12, 2511-2523. | ||
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+ | Kalinowski ST, Taper ML, Marshall TC 2007. Revising how the computer program Cervus accommodates genotyping error increases success in paternity assignment. Molecular Ecology, 16, 1099-1106. | ||
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+ | Marshall TC, Slate J, Kruuk LEB, Pemberton JM 1998. Statistical confidence for likelihood-based paternity inference in natural population. Molecular Ecology, 7, 639-655. | ||
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+ | Meaher TR 1986. Analysis of Paternity within a Natural Population of Chamaelirium luteum. 1. Identificationof Most-Likely Male Parents. The American Naturalist, 128, 199-215. | ||
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+ | Weisstein EW 2014. " |